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Disfunção Sexual Masculina e o uso de medicaçõesO pênis contém estruturas vasculares (sinusóides) que se enchem de sangue, promovendo ereção e rigidez penianas. A ereção peniana ocorre a partir de estímulos eróticos que chegam ao cérebro através dos órgãos dos sentidos, influenciados por aspectos orgânicos, hormonais, emocionais, de personalidade, comportamentais etc. O cérebro então, envia mensagens para os nervos do pênis; estes liberam substâncias que relaxarão os sinusóides do pênis. Esse relaxamento promove um maior fluxo de sangue (vasodilatação) que encherá os sinusóides do pênis, conferido-lhe a rigidez necessária para o ato sexual. No estado ereto, o aporte de sangue para o pênis é maior e mais rápido e o retorno deste sangue, de dentro do pênis para a circulação, é menor e mais lento, mantendo a rigidez peniana pois o sangue fica "aprisionado" no pênis. Cessado o estímulo erótico ou, em geral, após o orgasmo, ocorre o contrário. Os nervos penianos liberam substancias que provocarão uma contração dos sinusóides, dificultando a chegada do sangue ao pênis e liberando a quantidade a mais de sangue já existente. Então, a quantidade de sangue que chega ao pênis é bem menor do que a que sai, promovendo e mantendo a flacidez do órgão. Portanto, para que ocorra ereção peniana, é necessária a integridade e o correto funcionamento de vários fatores envolvidos no fenômeno: adequado estímulo sexual; adequado estado emocional; adequada integridade das vias nervosas que transmitem o estímulo do cérebro ao pênis; adequado funcionamento dos sinusóides e outros vasos sangüíneos do pênis. Impotência sexual ocorre quando falha algum ou alguns dos elos responsáveis pela cadeia de eventos que leva à ereção peniana. É definida como a incapacidade de obter uma ereção com rigidez suficiente para a penetração e/ou mantê-la por um período de tempo adequado para a satisfação sexual do casal. Atualmente, preferimos usar o termo disfunção erétil peniana (DE). Estima-se que a Disfunção Erétil acometa de 10 a 20 milhões de brasileiros. A maioria dos homens, em algum momento de suas vidas, experimenta episódios de Disfunção Erétil, muitas vezes decorrentes de cansaço, stress, abuso de álcool ou desmotivação sexual, entre outras causas. Uma falha ocasional não deve ser supervalorizada. Porém, se o problema persistir, deve-se procurar a ajuda de um urologista. As causas da Disfunção Erétil são divididas em orgânicas, psicogênicas e mistas. Tal distinção não é fácil de realizar, visto que um problema orgânico poderá, adversamente, afetar o estado psicológico do paciente e vice-versa. Em muitos casos, encontramos tanto fatores orgânicos quanto psicogênicos, levando à Disfunção Erétil. Vários fatores de risco são implicados nessa doença, tais como: idade avançada; diabetes; hipertensão arterial; doenças vasculares periféricas; doenças neurológicas; doenças endócrinas; traumatismos da medula espinhal; cirurgias pélvicas radicais; radioterapia; priapismo; alcoolismo; tabagismo; consumo de maconha e/ou cocaína; uso de alguns antihipertensivos, tranqüilizantes e psicotrópicos; problemas no relacionamento com a parceira; stress; ansiedade e medo de falhar; depressão; personalidade obsessivo-compulsiva; desvios sexuais. O diagnóstico da Disfunção Erétil começa por uma cuidadosa história onde o paciente será inquirido sobre os fatores de risco já citados. Atenção especial para a história e hábitos sexuais do paciente, sobre a duração do problema, desejo sexual e parceiras. Segue-se um exame físico completo, com atenção especial para a região genital. Testes laboratoriais são solicitados de acordo com os fatores de risco. Os mais comuns são: hormônios, glicose de jejum e lipídios circulantes. Pode haver necessidade de avaliar a função erétil por testes realizados através da injeção de substâncias vasodilatadoras no pênis para avaliar a rigidez e a duração da ereção obtida. O tratamento da Disfunção Erétil deve, inicialmente, sanar a causa básica, o que por si só já melhora o quadro. O arsenal disponível para o tratamento da DE inclui: medicamentos que se propõem a facilitar a obtenção da ereção por vasodilatação peniana, dentre os quais o Viagra® é o principal representante; reposição hormonal por via oral, parenteral ou transdérmica; medicamentos aplicados diretamente no pênis; medicamentos introduzidos no canal uretral; uso de dispositivos à vácuo para ajudar a obter e manter a ereção; tratamentos cirúrgicos para a correção de fatores de risco ou implante de próteses penianas semi-rígidas ou infláveis. Os distúrbios psicogênicos são enfrentados pelo uso de medicamentos específicos e/ou psicoterapia. Em alguns casos de distúrbios psicogênicos, emprega-se uma combinação do tratamento específico da condição com outros métodos usados para os casos de Disfunção Erétil orgânica. Familiarizado com os vários aspectos da DE, o leitor compreenderá melhor o que se segue sobre o Viagra®. Trata-se da primeira droga pesquisada para tal, apesar de ter sido descoberta por acaso, durante estudos sobre drogas para doenças cardiovasculares. É a primeira droga realmente eficiente para o tratamento clínico da DE, quando bem indicada e bem empregada. Está disponível em três concentrações, 25, 50 e 100 mg. Deve ser ingerido 1 hora antes da atividade sexual, com o estômago vazio. Para que funcione, é necessário que haja desejo sexual. Não adianta tomar o Viagra® e esperar que ocorra uma adequada ereção, se não existir desejo e estimulação sexuais. Ou seja, o Viagra® é facilitador de ereção, não é indutor de ereção. Desejo sexual e excitação sexual não são afetados pelo Viagra®. Desejo e excitação sexuais, entre outras coisas, dependem do humor, da emoção, do estado de espírito e não é sobre estes aspectos que age o Viagra®. Como já descrevemos, age diretamente nos sinusóides do pênis, promovendo vasodilatação. O Viagra® inibe a ação de uma enzima responsável pela indução da contração dos sinusóides do pênis, mantendo e prolongando a ereção atingida. Cerca de uma hora após a ingestão da dose preconizada pelo médico, o Viagra® faz com que os sinusóides do pênis do paciente se mantenham relaxados, dilatados, cheios do sangue que confere a rigidez necessária e pelo tempo necessário para uma relação sexual satisfatória. A ereção auxiliada pelo Viagra® costuma durar enquanto dure o estímulo sexual e costuma cessar após o orgasmo. A obtenção de nova ereção para outro relacionamento sexual pode ficar mais fácil em alguns pacientes que usam o Viagra®. O Viagra® não funciona como prolongador do ato sexual, ou seja, não é indicado para ejaculação precoce. Estuda-se o Viagra® no tratamento da frigidez e dificuldades orgásticas femininas, mas, até agora, os resultados são apenas razoáveis. O Viagra® só deve ser usado uma vez a cada 24 horas, mesmo que se queira ter mais relações nesse espaço tempo, o que é permitido, mas sem a ajuda do Viagra®. O Viagra® não é uma panacéia; não é indicado e nem funciona em todos os acometidos de DE. A taxa de sucesso com seu uso para tratamento clínico da DE é variável e situa-se em torno de 60% de bons resultados. Por tratar-se de um medicamento, seu emprego envolve benefícios e o aparecimento de efeitos colaterais. Os mais comuns são: dor de cabeça, desconforto gástrico, vermelhidão da face e tronco, queda da pressão arterial e confusão no reconhecimento de algumas cores(efeito raro). É contra-indicado para alguns pacientes cardiopatas que usam certos tipos de vasodilatadores (nitratos). O uso concomitante do Viagra® e nitratos pode levar a uma severa hipotensão, e até à morte. Alguns casos de morte após seu emprego foram confirmados, porém não estatisticamente relevante. Eram pacientes idosos, cardiopatas e usuários de nitratos. Não devemos nos esquecer que o ato sexual, principalmente em idosos cardiopatas, já carrega um certo risco para o coração; afinal o repouso relativo nesses pacientes deve ser sempre respeitado. De fato, o Viagra® é uma potente e eficiente droga, útil no tratamento clínico da Disfunção Erétil, e quando bem indicado, o seu emprego cercado de cuidados peculiares, bem como do indispensável acompanhamento por um urologista, pode restaurar o prazer do exercício pleno da sexualidade. Outros medicamentos de uso e indicação semelhantes, da mesma categoria do Viagra®,já estão no mercado e apresentam eficácia e segurança comprovadas. Devemos então citar o Cialis e o Levitra. Na minha experiência clínica, pacientes relatam que esses novos medicamentos possuem eficácia igual ou melhor do que o viagra; lembrando sempre que o Cialis apresenta um tempo de ação de cerca de 36hs(isto é, a medicação funciona de forma eficaz por até 36 horas após administradas). Há ainda a necessidade de se administrar essas medicações sempre que for ocorrer um novo ato sexual, porém é um tratamento com efeitos colaterais considerados leves e com uma ótima resposta terapêutica. |
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